As leis universais permitem a realização de análises profundas sobre a realidade: do micro ao macro e do macro ao micro; de dentro para fora e de fora para dentro; do alto ao baixo e do baixo ao alto. Elas funcionam como lentes de observação, contudo, a sua mera existência é insuficiente se não houver um desenvolvimento prévio daquele que observa através delas. Não adianta colocar alguém sem formação ou capacitação diante de um microscópio num laboratório e esperar diagnósticos precisos. Essa pessoa poderá até identificar padrões, vislumbrar movimentos ou ter intuições superficiais, mas a compreensão real da causalidade profunda exige uma ciência operativa e prática. No hermetismo, essa capacitação resulta da obra alquímica interior, onde o próprio indivíduo torna-se o laboratório e a própria lente viva do conhecimento.
Quando essa lente hermética é aplicada, por exemplo, à vida de uma semente, revela-se a dinâmica contínua desse micro-universo. Aparentemente inerte, a semente concentra em si uma força latente. Sob o olhar adequado, percebe-se que, muito antes de eclodir, o seu interior já vibra intensamente ao nível celular e atômico. Quando finalmente brota, aquilo que era movimento puramente interno passa a atuar no exterior: o seu "dentro" funde-se com a terra e o ambiente circundante, integrando uma nova escala de vitalidade.
Esse processo de correspondência desdobra-se em camadas sucessivas. A semente germina num vaso de terra, transformando aquele recipiente aparentemente estático num polo de vida. O vaso, por sua vez, repousa sobre uma mesa e passa a integrar a dinâmica energética do lar. A casa converte-se, assim, numa semente de escala superior, onde germinam relações humanas e dinâmicas invisíveis a um olhar desatento.
O vaso de plantas atua como um catalisador que estimula a germinação da própria casa; esta, enquanto semente social e afetiva, projeta para o mundo novas ações, seres e dinâmicas que alimentarão estruturas ainda maiores. O que é exterior para uma semente é apenas o interior de uma estrutura mais ampla, num encadeamento infinito de eclosão, expansão e correspondência.
Onde é que tudo isto vai parar? O processo não encontra um término estático, pois não constitui uma linha reta com ponto final, mas sim o próprio pulsar da Totalidade. Tudo converge para o princípio hermético da correspondência e do ritmo, no qual cada manifestação individual é, simultaneamente, o fruto de um processo anterior e a semente do próximo desdobramento da consciência cósmica. Ao reconhecer esse movimento perpétuo de retroalimentação entre o micro e o macro, o observador deixa de ser um mero espectador e passa a integrar conscientemente a totalidade da obra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário