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VENERÁVEL ORDEM HERMÉTICA
O Olhar da Ordem para momentos de crises sociais
Em tempos de tensão coletiva, fratura social e acirramento político, é natural que a mente humana busque refúgio na polarização ou, em contrapartida, na fuga desinteressada. Ambas nascem do veneno mental raiz: a ignorância. Diante de discursos que, venham de onde vierem, ferem a dignidade humana, ameaçam direitos fundamentais e resgatam sombras que a humanidade julgava superadas, muitos nos perguntam: onde se posiciona a Tradição? O que a Ordem faz perante a crise do mundo?
Para responder a isso com clareza e sem ilusões, é preciso compreender as leis que regem a manifestação e a responsabilidade de quem busca a Luz.
O Princípio do Ritmo nos ensina que toda oscilação extrema tende a gerar reações opostas de igual magnitude. O mestre não suprime o pêndulo; firma-se no ponto que escolhe e deixa a oscilação passar sem ser arrastado por ela. Situar-se no centro jamais significou indiferença, covardia ou anestesia moral diante do sofrimento alheio.
Estar no centro não é fechar os olhos enquanto a roda do mundo esmaga os semelhantes. O centro é o único ponto firme onde o observador não se deixa cegar pelo ódio, pelo medo ou pelo fanatismo coletivo. É o lugar a partir do qual se pode enxergar com lucidez as causas profundas dos fenômenos sociais e, exatamente por não estar embriagado pelo conflito, agir com precisão e retidão. Confundir neutralidade de espírito com omissão diante da injustiça é trair a própria busca pela sabedoria.
A ciência hermética opera sob a Lei da Correspondência: o que está em cima é como o que está em baixo. Não se exige contemplação filosófica ou busca pela libertação interior de quem padece de fome, desabrigo, violência ou desespero material.
A dignidade humana é o solo no qual o espírito se manifesta no plano denso. Na alquimia, a terra fértil nasce da putrefação trabalhada e a transformação não ignora a matéria. Assim, ignorar as urgências da sobrevivência e da justiça sob pretexto de "elevação espiritual" é uma farsa que mascara a vaidade. Toda iniciativa que preserve a vida, diminua a dor e promova o conhecimento é trabalho alinhado à Grande Obra.
A Ordem não é um partido político, não indica votos e não disputa palanques. Também não é uma vitrine de caridade que necessita estampar seu nome em placas para justificar sua relevância, tampouco age com ruído. O trabalho da Ordem é, foi e sempre será silencioso.
A preocupação da Ordem foi e será sempre com os mais frágeis, com a justiça, com a ética e com a verticalidade do ser humano na sua essência superior, aquela que reflete o que verdadeiramente deveria ser a Justiça Divina. Há tempos em que as sociedades parecem recuar no caminho civilizacional, e isso ocorre em todos os continentes, sob extremismos que se dizem de direita ou de esquerda e que, ao longo da história, conduziram igualmente à opressão. Por isso não há aqui esquerdas nem direitas. Há a falta de verticalidade humana, a falta de elevação do estado espiritual do ser, e pouco mais do que isso. Há povos que conhecem a guerra no próprio território e nas suas fronteiras; outros conhecem guerras de outra natureza, sociais e silenciosas, contra os direitos mais fundamentais. Em todas elas a raiz é a mesma. A quem orienta cabe pacificar e, acima de tudo, clarificar a mente humana, para que alcance a sobriedade, não se polarize, não se deixe arrastar e, por mais que a crise a toque, saiba estar acima dela.
A atuação da Tradição sempre ocorreu, e continua ocorrendo, de maneira sóbria, constante e nos bastidores. Iniciados e estudantes atuam onde estão inseridos. Seja na ciência e na saúde, aliviando sofrimentos físicos, emocionais e mentais que dificultam as condições para que os seres recebam a clareza da luz de forma íntegra. Seja na educação e na tecnologia, abrindo caminhos para autonomia e emancipação intelectual, que possibilitam o avançar do ser pela senda da libertação dos códigos e paradigmas limitantes que o aprisionam. Seja junto de quem decide, nas instituições e na vida pública, sem servir facção alguma, operando sutilmente para conter a loucura, mitigar danos e salvaguardar a dignidade coletiva.
Quem atua assim não reivindica aplausos nem busca o fruto do reconhecimento pessoal. Deixa o mérito no mundo e cumpre o dever ético de manter a sanidade onde há caos, e a Luz onde há trevas.
A Ordem não possui mãos corpóreas independentes. As mãos da Tradição são as de cada membro dela quando atuam no mundo sob sua Luz e Inspiração. Portanto, a pergunta que cada um deve fazer diante do espelho não é: "O que a Tradição fará por nós?", pois ela sempre vem fazendo, fase a fase, era a era. As perguntas que cabem são:
• O que faço eu, no espaço que ocupo hoje, com o discernimento que recebi?
• Como posso melhorar minha prática no sentido de desenvolver em mim a maestria hermética, o centro do pêndulo, ao passo em que não tolero a crueldade nem sou receptáculo da indiferença?
• Como trato aqueles que pensam diferente de mim, sem condescendência e sem hostilidade?
• Em que medida minhas palavras e escolhas diárias constroem pontes de dignidade ou alimentam o incêndio da segregação?
• Em que medida minhas ações e omissões alimentam a ignorância e servem a interesses que não compreendo, sendo eu, sem o saber, mantenedor do obscurecimento que adormece a consciência coletiva?
• Qual minha parcela de responsabilidade pela crise em que nos encontramos, e por sua solução?
A sabedoria ancestral nos ensina que, no campo de batalha, diante do desânimo jamais se deve depor o arco. A Centelha de Vida que nos anima nos recorda que nossa natureza é Vida e Luz, e que ceder à paralisia diante da desordem do mundo é esquecer quem somos. A travessia se cumpre com ciência e ação justa. Cabe-nos erguer e agir com retidão, firmeza e compaixão, sem apego aos frutos da ação, com os olhos postos no sustento de um mundo onde a semente da libertação, que dorme em cada consciência, encontre condições para germinar, florescer e frutificar.
Por todos cuja voz, ao longo dos tempos, tem sido silenciada.
Por aqueles que guardam com visão.
Diante da Chama Acesa permanecem a vigilância e a firmeza no discernimento.
Que laços de paz e clareza se façam sentir.
Eu Sou
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Instrutores da Venerável Ordem Hermética
